domingo, 21 de fevereiro de 2016
Primeiro dia
Saí de casa antes das 6h.
Cheguei para a consulta e aguardei alguns minutos a médica chegar, nada mais que 5 minutos. Nesse tempo fui para a pré consulta e tudo está normal, peso, altura, pressão e o sorriso da técnica de enfermagem!!
Chamam meu nome e lá vou eu para o consultório 05.
Chegando na porta, meio sem saber se seguro a agenda, a bolsa ou a maçaneta, desajeitadamente abro a porta. A pessoa que me aguarda de costas pede pra eu me sentar e faz uma série de perguntas de praxe. E eu respondendo com leveza e com um sorriso que eu tentava, para esconder a insegurança que estava naquele envelope.
Depois das perguntas e ficha preenchida, ela me pergunta o que me levou a procurá-la e mais uma vez respondi:
- Estou fazendo uma série de exames para ver se está tudo bem e um deles apontou alguns nódulos e eu pedi para puncionar, apesar de não haver indicação em casos de nódulos tão pequenos...
Eu não sabia mais o que pensar quando vi seu olhar atendo ao resultado do exame.
Ela me perguntou se eu havia aberto antes, eu respondi que não - Meu esposo pediu que não abrisse para não ficar imaginando coisas.
Foi bom que isso aconteceu!
Nunca vou esquecer a doçura e força de suas palavras:
Está tudo bem, vou encaminhar você para alguns exames e um cirurgião que já acompanhou alguns de meus pacientes e está tudo bem.
Alguns exames de sangue, uma ultrassom da região e vamos marcar a cirurgia... seu diagnóstico me surpreendeu!
Lá estava o diagnóstico: "Suspeito de Carcinoma Papilífero"
Sair daquela cadeira não foi tão leve... uma profusão de sentimentos, misturados ao calor e acompanhados de uma listinha infinita de "coisas para fazer antes de..."
Nem me lembro como atravessei a rua para pegar o ônibus, porque as lágrimas "do desconhecido" já estavam ali, molhando meu rosto meio pálido. enxuguei as lágrimas e peguei o primeiro ônibus que passou. Dei bom dia ao cobrador que com um sorriso solar no rosto me respondeu:
"Bom Dia!! De estarmos vivos já temos mesmo que agradecer a Deus, não é?" E eu disse: "é isso aí!!"
Eu só poderia concordar! Estou viva!
Sentei na primeira cadeira vazia que encontrei e busquei ali todos os sentimentos de gratidão possíveis em minha memória e coração. E encontrei muitos!
Ainda assim, eu não conseguia saber como iria chegar em casa e conversar com meu companheiro sobre isso! Então fiz muitas coisas entes de chegar!
Quando abri a porta, estava ele se arrumando para sair, fazer um favor, se doar em seu tempo e dom para transbordar seu amor do jeito mais sublime que ele sabe fazer! Nos abraçamos, choramos e dissemos mais uma vez do nosso amor um pelo outro!
Ele viajou! E eu fui trabalhar.
No trabalho, assim que subi as escadas e entrei na sala da coordenação para desejar uma boa tarde - um desejo que gritava de mim - que aquela fosse uma boa tarde!!!
Uma das estagiárias convidou a uma oração, todo o meu corpo desejava agradecer, não poderia vir aquele convite, em melhor momento! Ao mesmo tempo que eu desejava entender o que tudo aquilo queria mostrar, eu já agradecia pelo diagnostico precoce, pelas possibilidades de tratamento, pelo apoio que recebi em todo o dia, de forma inusitada, afetiva e calma.
E sutilmente a tarde passou. E a noite ainda havia uma reunião importante, que a proposito trouxe muitos bons frutos e ocupou mais uma parte deste longo dia.
Eu não me sentia pronta para falar sobre tudo isso. Fui pra casa em silêncio e reserva deste assunto.
Cheguei depois das 21h.
Falamos sobre outras coisas.
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